Oi, Freaks!

Hoje queremos compartilhar com vocês um pouquinho sobre a poderosa Deusa Hecate!

Como encontramos muitas informações a seu respeito, trouxemos um pouco de tudo resumidamente. Esperamos que gostem do que separamos para vocês!! 😀

Na Antiguidade, Hecate foi uma deusa de múltiplas representações. Porém, atualmente é adorada e reconhecida como a deusa da feitiçaria, encruzilhadas, animais selvagens e magia.

Nenhum Olimpiano sofreu tantas modificações como Hecate, onde foi de uma deusa jovem, popular e brilhante a uma deusa obscura, aterrorizante e completamente fascinante. Por ser envolta em mistérios desde sua origem, não se sabe ao certo de onde surgiu ou nasceu. Dentre tantas versões sobre sua genealogia, a mais contada e tida como verdadeira é de que seja filha de Perses e Astéria.

Originalmente era representada como uma jovem Deusa dotada de muita beleza e poder, carregando uma tocha e usando um cocar de estrelas. Atribuindo-se ao feminino de Hekatos (um obscuro epí­teto de Apolo). Após a batalha em que derrotaram os Titãs, os Olimpianos a adotaram e começaram a adora-la como deusa da abundância e eloquência, muito generosa com aqueles que a reconhecem. Curiosamente, o culto a Hecate era praticado apenas a noite sob a luz de tochas. 

Na Ásia Menor, evidências arqueológicas de seu templo em Lagina (Túrquia) – local em que se realizava um ritual ligado a chaves – apresentam Hecate como guardiã de entradas e passagens, como a senhora que poderia abrir as portas do Hades e sugerem que ela era cultuada como deusa da cidade, deusa mãe e benfeitora global.

Hecate guiava as almas por meio de tochas e aquelas que não atravessassem, acabavam se tornando parte do seu séquito, onde mais tarde seriam usadas para agir em seu nome.

No Hino Homérico a Deméter (c. século VI a.C) é narrada a história do rapto de Perséfone pelo Deus do submundo e a busca desesperadora de Deméter por sua filha. Devido ao sofrimento causado pela perda da filha, Deméter causa um inverno rigoroso nunca sentido antes pela humanidade. Tal narrativa é conhecida por explicar a origem das estações. Hecate é uma das únicas testemunhas do rapto (além do deus Hélio, embora alegue que não viu o rapto, apenas ouviu) e no fim, após Perséfone retornar ao submundo e ser determinado o acordo entre seu esposo e sua mãe (um terço com Hades no reino dos mortos e dois terços ao lado de Deméter na superfície), é Hecate quem reaparece para guiar a nova rainha ao reino dos mortos e garantir que o acordo entre os dois continue, sendo mediadora da subida e descida de Perséfone.

Na Teogonia, é dedicado versos (404 a 452) à Deusa, por Hesíodo. Tal sessão ficou conhecida como ’’Hino a Hécate’’, onde lhe foi atribuída influência sobre todas as esferas da vida humana, podendo beneficiar os homens em suas várias funções. Sendo responsável por mediar relações entre antigos e novos deuses, e também entre deuses e mortais.

No período clássico, sua relação com as almas dos mortos que retornam ao mundo dos vivos está consolidada. Tornando-se uma deusa maligna e ligada a fantasmas, podendo controla-los para proteger quem a honrasse e ao mesmo tempo enviar daemones para destruir quem achasse que merecia. Porém, fica a pergunta… Como ela foi de deusa benevolente e companheira de Perséfone a uma deusa assombrosa ligada aos mortos? Infelizmente, não se tem resposta. Contudo, essa ligação com o mundo espiritual é o que permite sua representação como deusa da magia e das feiticeiras, já que o cerne da magia na Grécia Antiga envolvia o contato com os mortos.

Ainda durante a época clássica, por estar conectada com espíritos e daemones – criaturas que costumam vagar em encruzilhadas – ficou conhecida também como a deusa em excelência que rege e encaminha, quando possível. Aqueles que não fazem a passagem, são condenados a vagar pelo mundo juntamente com a Deusa.

Sua associação a magia está ligada intimamente ao seu papel de soberana de daemones, pois muitas magias dependem deles para serem realizadas. E é preciso ter em mente que mesmo sendo eles que agiam, só o faziam pois era Hecate quem tinha controle sobre eles. E foi dessa ligação que a deusa foi associada a bruxaria: eram tais criaturas que lhe ajudavam a auxiliar os teurgistas a realizar a ascensão ao reino celestial.

Podemos constatar que Hecate possui várias atribuições, das quais se destacam: guardiã, companheira de Perséfone, mediadora entre mortais e deuses, soberana das almas, deusa da magia e patrona das feiticeiras.

Mulheres jovens são as que mais recorrem a Hecate, pois é uma deusa que se faz presente nos principais momentos da vida de uma mulher: desde seu nascimento ao seu casamento e depois sua morte, onde juntamente com Hermes acompanha a alma até o mundo dos mortos, iluminando seus caminhos com duas tochas.

Para conseguir o auxilio da deusa, os devotos deixavam sobras de alimentos em encruzilhadas, pois essas oferendas estariam ligadas ao ciclo de morte e renascimento. Eram feitas durante as noite de lua cheia. Também era ofertado bolos decorados com miniaturas de tochas acesas e salmonete.

Dentre tantas versões e histórias atribuídas a ela, não podemos negar que Hecate sempre foi uma das deusas mais fascinante e misteriosa da Grécia Antiga. Sua crença continua forte até os dias atuais, sendo muito adorada pelas bruxas e bruxos pelo mundo.

Curiosidades

  • O poeta helenístico Teócrito (c. 310-250 a.C.), ilustra Hecate como deusa patrona das feiticeiras em Idílio 2. Onde é invocada para que auxilie a personagem feminina que narra o poema, em um ritual de encantamento.
  • Em Macbeth (Shakespeare), Hecate é representada como uma deusa terrível, associada às feiticeiras e trabalhos mágicos, onde auxilia e guia três bruxas. Devido a essa peça, sua imortalização como deusa sombria cresceu mais ainda no imaginário popular.
  • Os animais selvagens são sagrados para Hecate, desta forma é comum que vejamos em suas aparições na história com cães de três cabeças, cavalo, cobra, leão e urso. Porém as criaturas das trevas e da terra possuem maior conexão com ela, como por exemplo: corvos, corujas, cobras, dragões e sapos.
  • Nas encruzilhadas da Grécia Antiga era comum encontrar estátuas de Hecate sendo representada por três cabeças e corpos, olhando em todas as direções, trazendo consigo três tochas para iluminar e proteger os caminhos dos viajantes noturnos. 

Referência:
Hécate, deusa da magia: representação em Macbeth por Thais R. Carvalho, https://cutt.ly/caletroscopio-hecatedeusadamagia;
Hecate: Um estudo inicial por Joana V. Varela, https://cutt.ly/hecate-umestudoinicial;
Daughters of Hecate: Daughters of Hecate: Women and Magic in the Ancient World editado por Kimberly B. Stratton e Dayna S. Kalleres, https://cutt.ly/daughtersofhecate;
https://cutt.ly/oficina-das-bruxas-deusa-hekate;
https://cutt.ly/alem-de-salem-culto-sagrado;

Fonte da capa: https://cutt.ly/tumblr-hecate

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