Bestiário: Mitologia Nórdica

Oi, Freaks!

Quem aí gostaria de saber mais sobre criaturas da Mitologia Nórdica? Nós já fizemos um post sobre os filhos do semideus Loki, que são seres aterrorizantes (clique aqui para ler mais), mas existe tantos outros monstros interessantes que não queríamos deixar de fora. Então, vem com a gente se aprofundar ainda mais na história deles!!!

Ymir

O principal e primeiro gigante a existir na Mitologia Nórdica, é dele que se derivou a estrutura do mundo. Segundo estudiosos, seu nome em diversas línguas antigas significa “gêmeo”, “duplo” ou “hemafrodita”.

O escritor islandês Snori Sturluson, autor da Edda em Prosa, relata que Ymir foi formado pelo encontro do frio de Niflheim, região ao norte, com o calor de Muspell, região ao sul, dentro do Ginnungagap (abismo que separa ambos os mundos). Ele tinha uma forma humanoide e se alimentava do leite da vaca Audhumla, que teria surgido no início dos tempos do orvalho derretido do gelo de Niflheim e suas tetas entornaram em quatro rios de leite.

Ymir deu origem a todos os gigantes e ao mal que seria inerente a eles; homens e anões também são seus descendentes. Debaixo de seu braço esquerdo surgiram o primeiro homem e a primeira mulher, de seus pés foi gerada a família dos gigantes de gelo.

A vaca Audhumla se alimentava lambendo o gelo e assim deu origem a um ser importantíssimo na mitologia, seu nome era Búri, cujo filho Bor dará vida aos deuses ases – Odin, Vili e Ve. A tríade é a responsável pela morte de Ymir e de todos os gigantes de gelo. Os deuses então levaram o corpo do gigante para Ginnungagap e elaboraram o mundo a partir do cadáver: com a carne fizeram a terra, com os ossos as rochas, com os cabelos as árvores, com o crânio o céu, com o sangue o mar, pelas pestanas criaram Midgard e com o miolo do cérebro criaram as nuvens de tempestade.

Draugr

Quem já jogou Skyrim ou God of War deve conhecer essa criatura. Os germanos acreditavam no conceito de alma interna, hamr (a forma interna que cada um possui) e fylgja (entidade sobrenatural, geralmente feminina, que está ligada a um indivíduo e o acompanha pela vida toda). Acredita-se que o hamr era capaz de sair do corpo e ir para outros lugares e outras épocas, assumindo uma forma animal. Após cumprir sua viagem, retorna para o corpo.

Porém, se a pessoa vier a falecer e seu corpo for enterrado em um monte funerário, sem receber os ritos fúnebres adequados, o morto adquire vida após a morte e se torna um draugr (morto-vivo). Os nórdicos temiam esses “zumbis” e seu apetite por destruição, uma mordida de um draugr é capaz de transmitir sua maldição para os vivos. Para garantir a morte definitiva é necessário cortar sua cabeça e queimar o corpo.

Surtr

Surtr é um gigante de fogo que mora em Muspell, ele é o guardião do local e fica sentado na porta, brandindo sua espada flamejante a espera do Ragnarök onde irá reduzir os deuses e o mundo a fogo e destruição. No dia em que a grande batalha chegar, os seres de Múspellsheimr irão emergir com Surtr à frente deles, empunhando sua espada irá marchar com seu exército rumo a Asgard (morada dos deuses).

Assim que o gigante e sua tropa atravessarem a ponte Bifrost – a ponte arco-íris que liga o mundo dos deuses com Midgard, o mundo dos homens – eles irão destruí-la. Durante a batalha Surtr irá matar o deus Freyr (da fertilidade, paz e riqueza), e será o único sobrevivente. Então, o gigante irá incendiar toda a terra, destruindo tudo e todos. As estrelas se apagarão, Yggdrasill (a árvore no centro do mundo) balançará, o mar apagará o incêndio e tomará toda a terra, dando início a uma nova era.

Níðhöggr (dragão escandinavo)

Na mitologia germânica, Níðhöggr – que significa “aquele que ataca e destrói” – era um dragão que vivia em uma das raízes da Yggdrasill, cercado de pequenas serpentes, despedaçando cadáveres e comendo-os em meio ao nevoeiro gélido de Niflheim. Quando satisfeito da carne morta, rói constantemente as raízes da árvore, muito provavelmente tentando causar algum dado no cosmos. Apesar de não ser dito nos livros e artefatos encontrados que os tremores de Yggdrasill durante o Ragnarök tenham sido por culpa de Níðhöggr, mas é algo para se ter em mente.

Tanto a árvore como o dragão estão destinados a sobreviver a grande batalha final que resultará no fim do mundo. Nem o fogo e nem o dilúvio serão capazes de deslocar Níðhöggr ou matá-lo, e ele irá se banquetear com a enorme quantidade de mortos.

E aí, o que acharam desses monstros assustadores? Conta para gente se você quer saber mais sobre alguma outra criatura da mitologia nórdica, vamos adorar trazer esse conteúdo para vocês!!!

Referências:

Livro Dicionário de Mitologia Nórdica: símbolos, mitos e ritos, de Johnni Langer.

Estudo para uma releitura artística dos deuses das Mitologias Greco-Romana e Nórdica, Cássio Ronconi Coltri – https://bit.ly/3qsZ60x

O Barco dos Mortos: um estudo sobre o rito de cremação viking, Leandro Vilar Oliveira – https://bit.ly/3onszqG

Entre fronteiras: gótico, realismo mágico e slipstream. O zumbi que se alimenta dos gêneros, Raul Dias Pimenta – https://bit.ly/3lPP31K

Ragnarǫk: alternativas de interpretação da escatologia escandinava, Fábio L. Stern – https://bit.ly/36Qx5s2

Mito Nórdico e a Constituição do Real, Ernst Cassirer – https://bit.ly/3gjF6bS

O Mito do Dragão na Escandinávia (Primeira Parte: Período Pré-Viking), Prof. Dr. Johnni Langer – https://bit.ly/33MV8WA

O Dragão no Imaginário Nórdico Medieval: um estudo das sagas islandesas, Miguel Diogo Andrade – https://bit.ly/2IjD9zE

Foto de capa: https://bit.ly/3gj4i27

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