Midsommar: símbolos e significados

Oi, Freaks!

O filme Midsommar – O Mal não Espera a Noite foi muito exaltado e comentado desde que estreou no ano passado até hoje. O diretor Ari Aster, que também dirigiu o filme Hereditário, utilizou de vários símbolos e lendas do folclore escandinavo e germânico para construir a cultura presente na obra. E é disso que viemos falar para vocês hoje!!!

Então, se você já viu o filme fica ligado nesse post que ele vai te ajudar a entender algumas das referências incríveis presentes no longa. Para você que ainda não viu cuidado com os possíveis spoilers, recomendamos que você veja o filme primeiro e depois corra aqui para ler tudinho.

Solstício de Verão

O Solstício de Verão é o momento que marca o início do verão e sua data varia para cada hemisfério, tendo início aproximado no dia 20 ou 21 de junho no hemisfério norte. Na Suécia, este evento é um dos mais importantes do ano e envolve diversas tradições perpetuadas ao longo dos anos. Nós já temos um post sobre a tradição comemorada no Solstício de Inverno, só clicar aqui para ler mais sobre.

Midsommar é o nome de um ritual pagão ligado ao solstício e que celebra a fertilidade da natureza em um momento muito poderoso, pois é quando os elementos mágicos estão fortes. Ou seja, é exatamente quando o sol e a Terra estão no ápice de seus poderes reprodutivos. Por isso, há várias figuras que fazem referencia ao sol e também muitas coisas nas cores amarelo e dourado. É comum que os feriados suecos sejam comemorados na véspera do dia em si, então o festival é chamado de Midsommarafton (a véspera do Midsommar).

Na Suécia já foi comum comemorar o solstício com enormes fogueiras, porém isso não faz mais parte da cerimônia. No final da Idade Média uma nova tradição surgiu: o Mastro de Verão (ou Barra de Verão), decorado com vegetação e flores. Inicialmente ele foi erguido pela primeira vez em um mês de maio, porém, a primavera chega mais tarde à Suécia e não era fácil encontrar folhas para decorar o poste, sendo assim a tradição passou para o meio do verão. Segundo fontes, o nome pode ser atribuído ao termo majstång ou maypole, a palavra sueca arcaica maja significa “decorar com folhas verdes”.

O mastro é considerado, por alguns estudiosos, um símbolo fálico de fertilidade, ou seja, ele representa o aparelho reprodutor masculino invertido. Porém, essa relação é bastante duvidosa sendo que está forma do poste (uma cruz com dois círculos) só começou a ser utilizada no século passado. Outra tradição ligada ao mastro é dançar em grupos ao redor dele no período do festival de solstício, uma dança muito popular é a chamada Små Grodorna que é relacionada a sapos. Nos dias de hoje, as comemorações na Suécia envolvem trajes tradicionais, danças folclóricas e outros tipos de atividades.

Decoração com flores

A parte central do festival é a decoração, e como vemos no filme as flores são um elemento muito presente neste quesito. Acontece que na cultura de alguns povos pagãos o verão era considerado um período mágico e tudo que tivesse relação com a natureza também era considerado detentor de poderes especiais.

Acreditava-se que colher flores para tecer grinaldas e coroas era uma forma de aproveitar essa magia da natureza e assim garantir uma boa saúde ao longo do ano. Comer morangos e conservas era uma forma de agradecer a generosidade da terra. Por ser uma época conhecida pela fertilidade, ter relações sexuais traziam muitos frutos, e é dito que muitas pessoas esperam por essa comemoração para perderem a virgindade. Um verso sueco diz: “A noite de verão não é longa, mas coloca muitos berços no rochedo”.

Runas

As runas são conhecidas desde os séculos II-III na Germânia e foram usadas durante toda a Idade Média pelos povos germânicos e escandinavos. Na Escandinávia existem por volta de 6000 inscrições rúnicas, foram encontradas em monumentos de pedras e em objetos de madeira, metal e osso como armas e moedas. A escrita rúnica não evoluiu para uma linguagem falada e cada uma tem um significado.

O alfabeto rúnico é identificado como fupark, futhark ou fuporc, pois é nesta ordem que os caracteres nele são listados. O antigo fupark tinha 24 caracteres, com as mudanças linguísticas o alfabeto passou a ter apenas 16 e é nele que está talhada a maioria das estelas rúnicas. No filme é falado de Elder Futhark e Young Futhark, sendo que o primeiro é associado aos anciões e o segundo aos jovens.

A runa Raido, parecida com a nossa letra R, aparece em uma pedra durante um dos rituais e no vestido da protagonista – Dani – nas últimas cenas. Ela significa viagem, comunicação, união e reunião, representando a viagem da alma, o caminho para a harmonia que faz com que a pessoa saiba a hora de mudar e se transformar em um ser melhor e mais completo. Já a runa Dagaz (⋈), que aparece também no vestido e tem formato de uma ampulheta na horizontal, representa aprofundamento e transformação, indica que a pessoa irá sobreviver a uma grande mudança e que deve aproveitar o a sorte que virá.

Porém, a maneira que uma runa é posicionada altera o seu significado (apenas nove runas são lidas da mesma forma independente da posição), então é possível que o diretor do filme tenha deixado a runa Raido espelhada e a Dagaz na vertical por algum motivo ou apenas para se diferenciar dos símbolos originais.

Outra runa presente é a Teiwaz, presente na roupa do personagem Christian. Ela significa destino, batalhas e discernimento. É considerada a runa do Guerreiro Espiritual, cujo as batalhas são sempre travadas com o eu em busca de uma conquista de si próprio. O sol também é associado a esta runa, representa a energia masculina, o princípio ativo. Nela está a espada da discriminação que permite cortar o que é velho, morto ou excedente.

O nome da runa muito provavelmente provem do deus nórdico Týr – seu nome tem variações em outras mitologias como Tew ou Tywa. Ele é o deus da guerra e no único mito sobre ele é contado a história de como ele perdeu uma de suas mãos para o lobo Fenrir ao pagar uma aposta perdida pelos deuses. Isso também pode ser visto como um sacrifício, já que Týr se voluntariou para fazer com que o acordo fosse cumprido.

Uma questão interessante é que na imagem abaixo, tirada de uma das cenas do filme, é possível ver as runas que estão presentes nas roupas da protagonista e do personagem Christian. Assim, fica aberto a interpretação se isso foi feito para criar uma ligação entre eles e aquela nova cultura já desde o início ou se esses símbolos só representavam os dois personagens que são foco principal na cena.

E não podemos deixar de falar sobre a runa associada ao personagem Pelle, um dos principais do filme e também um dos mais importantes. O nome da runa que aparece em sua roupa é chamada de Fehu, que significa lucro, alimento e que tudo que já foi conquistado será preservado. Ela fala de vigilância e atenção contínua, principalmente nas fases de boa sorte. Ela também é conhecida como runa da plenitude, ambição satisfeita, amor realizado, recompensas recebidas. Ela promete nutrição do mais mundano para o sagrado e divino.

Indo para as runas presentes nas pinturas presentes por todo o filme temos duas que são importantes em duas cena. A primeira é a runa Perth, que simboliza novos caminhos, o inesperado. Está associada a momentos cíclicos que oferece acesso a conhecimentos ocultos e também ao estado de iniciação de um ciclo, ou seja, algo novo.

A segunda é a runa Othila, que significa bens deixados, solidão e ruptura radical. Ela indica o descarte de velhos conceitos, adaptação a novas experiências e reavaliação de valores. Então, percebemos que o formato da mesa em uma das cenas do terceiro ato representa bem não só o ritual que está acontecendo, como também a jornada da personagem principal.

Para finalizar temos duas runas que foram mescladas na cena do segundo sacrifício, estamos falando da Inguz e da Angos. Inguz significa intuição, esperança, realizações e novos tempos. Representa a parte intuitiva da nossa natureza, com a ânsia pela harmonização e ajustamento na esfera dos relacionamentos pessoais. A runa encarna a necessidade de partilhar, mas também requer términos, decisões definitivas e a expurgação do que é velho. Isso marca o início de uma nova fase, um novo caminho.

Quanto a Angos (também conhecida como Gebo), a runa significa dons, união, raciocínio equilibrado, assim como a união da vida espiritual com a vida material. A ligação do interno com tudo que envolve o homem deve abranger a expansão da sensibilidade e a harmonia interna e externa.

E aí, gostaram? Conta pra gente aqui nos comentários se vocês sabiam de alguns desses símbolos presentes no filme. Com certeza essas curiosidades trazem ainda mais primor para esse filme incrível!!!

Referências:

Dicionário de Mitologia Nórdica: símbolos, mitos e tiros, Johnni Langer

O Livro de Runas Um Manual para o Uso de um Oráculo Antigo: As Runas Vikings https://bit.ly/3lPDW9V

Runas, Galdr e Seidr: um breve estudo sobre a representação literária das práticas de magia da cultura nórdica medieval, Tiago Quintana https://bit.ly/3kNHBDV

Macabra TV: https://bit.ly/36OI5oq

Foto de capa: https://bit.ly/3lN5ugp

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *