Psicose: o terror baseado em Ed Gein

Hi, Freaks!

Com certeza todos não só conhecem o clássico filme Psicose, do diretor Alfred Hitchcock, como também ficaram um tempinho apreensivos todas as vezes que foram tomar banho após assistir. O que muitas pessoas não sabem é que a história é baseada em um assassino que existiu no final dos anos 50 e deixou sua marca como um dos casos mais repugnantes da história.

Bateu curiosidade? Então, se prepara para conhecer esse assassino aterrorizante, garantimos que tomar banho não será mais a mesma coisa!!!

A história real por trás do fenômeno cinematográfico

Edward Theodore Gein, também conhecido como Ed Gein ou de Carniceiro de Plainfield, foi um dos serial killers mais terríveis dos Estados Unidos. Nascido em 27 de agosto de 1906, em LaCrosse, Wisconsin, se mudou para Plainfield, no mesmo estado, porque sua mãe acreditava que a cidade natal era um âmbito de depravação. Porém, Plainfield não se mostrou melhor na opinião da matriarca. Edward era filho de Augusta e George Gein, e tinha um irmão mais velho chamado Henry.

Sua mãe era uma fanática religiosa que tinha repúdio por sexo e seu pai era alcoólatra, ambos eram violentos na criação dos dois filhos. Sendo que Augusta fazia questão de limitar o acesso de ambos ao mundo exterior, fora a forma sempre agressiva que tratava os dois. George morreu em 1940, mas não foi uma morte sentida pela família, apenas serviu para deixar Ed e Henry ainda mais sob a influência de sua mãe.

Augusta prega constantemente o ódio, a vulgaridade das mulheres e ao sexo, mas apenas Edward parecia ficar vidrado em sua doutrinação enquanto Henry não concorda e tentava livrar seu irmão da influência da mãe. Misteriosamente, em 1944, Henry foi encontrado morto na fazenda da família vítima de um suposto ataque cardíaco após tentar apagar um incêndio com seu irmão. Não houve explicações convincentes para os hematomas encontrados na parte de trás da cabeça de Henry, o que levanta suspeitas de que ele tenha sido a primeira vítima de Ed, que o teria matado pelos conflitos entre o irmão e sua mãe.

Um ano depois, Augusta sofreu um derrame e ficou acamada aos cuidados do filho. Apesar de todos os cuidados, ela veio a ter outro derrame e faleceu em dezembro de 1945, o que deixou Edward transtornado. Aos 39 anos, vivendo sozinho na propriedade, não demorou muito para que Ed fosse enlouquecendo a medida que ia se isolando cada vez mais dentro de sua casa. As pessoas que o conheciam não notaram que sua piora mental, mesmo que tenha deixado alguns sinais físicos; acontece que Edward sempre foi considerado “estranho” pelos vizinhos e conhecidos.

Nas poucas vezes em que saia, Ed falava de assuntos cada vez mais assustadores, como temas ele adorava conversar sobre atrocidades nazistas, caçadores de cabeças dos Mares do Sul e operações de mudança de sexo. Quando a dona de uma taverna, chamada Mary Hogan, em que ele costumava ir desapareceu repentinamente apenas deixando como um rastro de sangue, ele chegou a “brincar” que ela estaria passando um tempo em sua casa, algo que ninguém se preocupou em levar a sério, afinal, ele era um cara esquisito.

Logo, algumas histórias sinistras começaram a se espalhar entre os moradores da região, crianças afirmaram terem visto pela janela da casa de Ed, cabeças encolhidas penduradas nas paredes de um quarto. Assim que soube dos rumores, ele explicou que as cabeças eram relíquias da Segunda Guerra Mundial, que foram enviadas para ele por um primo que servira nos Mares do Sul. Seus vizinhos novamente acharam plausível devido ao seu histórico de estranhezas até então inofensivas.

Então, em 16 de novembro de 1957, o desaparecimento de Berenice Worden marcou o início da descoberta sobre a verdadeira índole de Ed Gein. Era o início da temporada de caça ao veado, o filho de Berenice, Frank Worden, voltava da mata para a loja que a mãe administrava e se surpreendeu ao não encontrá-la. Frank descobriu então um rastro de sangue que levava até os fundos da loja, e também descobriu um recibo de venda de meio galão de anticogelante emitido no nome do último cliente: Ed Gein.

A polícia foi até a casa de Gein para questioná-lo sobre o desaparecimento da Sra. Worden, quando chegaram lá encontraram o corpo da senhora de 58 anos na cozinha externa, nos fundos da casa. Ela fora pendurada pelos calcanhares por um gancho de açougue, fora decapitada e estripada. Os policiais ficaram chocados e pediram reforço imediatamente. Logo, uma dúzia de policiais estariam vasculhando a casa e descobrindo coisas aterrorizantes.

Fora encontrado tigelas feitas com o topo serrado de crânios humanos, cadeiras acolchoadas com carne humana, abajures feitos de pele humana, uma caixa cheia de narizes, um puxador de cortina decorado com dois lábios femininos, um cinto feito de mamilos femininos, uma caixa de sapato com genitálias femininas. Assim como o rosto de nove mulheres cuidadosamente desidratados, recheados com papel e montados, como troféus de caça em uma parede. E não menos assustador, uma roupa de pele humana, com seios e tudo, feita do torso de uma mulher de meia idade.

E não parou por aí, depois das buscas pela casa, um dos investigadores descobriu um saco ensanguentado sob um colchão com um odor terrivelmente forte, onde havia uma cabeça decapitada e havia dois pregos grandes com um laço de barbante amarrado nas pontas presos aos ouvidos. Essa era a cabeça de Berenice Worden que seria pendurada na parede para servir de decoração.

Ed confessou que usava a roupa de pele durante a noite enquanto andava pela casa fingindo ser sua mãe. Ele também afirmou que não era um serial killer, apesar de matar Berenice e Mary (a pele de seu rosto foi encontrada dentre a macabra coleção), as outras partes de corpos encontrados na casa foram roubados de cemitérios locais. Então, foi descoberto que durante os 12 anos após a morte de sua mãe, Gein roubava covas em busca de companhia.

Ele foi considerado mentalmente incapaz e passou o resto da sua vida em hospitais psiquiátricos. Em 26 de julho de 1984, em Madison, Wisconsin, ele morreu aos 78 anos devido a uma parada cardíaca, mas bem antes de falecer foi imortalizado no filme PSicose (1960), que é baseado no livro de mesmo nome do autor Robert Bloch. O corpo de Ed foi levado de volta a Plainfield e foi enterrado ao lado de sua mãe.

Inspirações na telinha

Psicose (1960)

O filme de Alfred Hitchcock, buscou retratar a história do romance de Robert Bloch, no qual o autor afirmou ter se inspirado na história de Ed Gein. Robert leu sobre o caso e se surpreendeu com a parte da roupa feita a partir de pele e de que o intuito de Ed era usar a roupa para se passar por sua mãe já falecida. A partir disso, Bloch criou a incrível história de Psicose, lançando o livro em 1959.

Tanto o livro quanto o filme acompanham a história de uma secretária chamada Marion Crane que fugindo após um roubo, encontra em seu caminho Norman Bates, um cara pacato e sozinho, que comanda o Motel Bates, um hotel de beira de estrada. Marion estava sendo perseguida por um detetive que não só descobre seu paradeiro, como também um caso terrível envolvendo Norman.

Bates Motel (2013)

Essa série incrível é baseada na história de Psicose, mas traz outra visão sobre o Norman Bates e uma profundidade maior sobre seu relacionamento abusivo e obsessivo com sua mãe, conhecida como Norma Bates. Aqui, também podemos ver algumas similaridades com o caso de Gein, como a presença de um irão mais velho, a relação da família com o pai e a visão puritana da mãe.

Na história, após a misteriosa morte de seu marido, Norma Bates decidiu começar uma nova vida e se muda para a pequena cidade de White Pine Bay, em Oregon, com seu filho Norman, de 17 anos. Ela compra um velho motel abandonado e a mansão atrás dele, e passa a gerenciá-lo com a ajuda do filho. Norma e Norman sempre compartilharam uma relação complexa, quase incestuosa. Trágicos acontecimentos irão empurrá-los ainda mais e uma trilha de segredos obscuros irão rodeá-los.

O Massacre da Serra Elétrica (1974)

O filme não retrata o personagem como Psicose, aqui a inspiração está em alguns detalhes usados pelo diretor para fazer referência ao caso de Ed. O personagem principal, conhecido como Leatherface (“Cara de couro”, em livre tradução) usava uma máscara feita de pele humana e era um assassino sanguinário. Na história, ele é o responsável pelo assassinato de 33 pessoas . A casa onde o protagonista vive também é decorada de partes de corpos humanos.

O filme se tornou um clássico do gênero terror, colecionando fãs ao longo dos anos, mas também gerou controvérsias devido a forma realista com que a história foi abordada, o que chegou a confundir e assustar autoridades. Devido a isso, o filme foi proibido de ser exibido em alguns países durante muitos anos. O ator Gunnar Hansen, que dá vida a Leatherface, teve Ed Gein como principal referência, e sua atuação gerou especulações de que algumas cenas seriam reais.

Referências:

Serial Killer, Anatomia do Mal, por Harold Schechter – Editora DarkSide Books

Aventuras na História: https://bit.ly/3e4Bwmm

Super Interessante: https://bit.ly/3nydzHn

DarkSide Books: https://bit.ly/3t8jap5

Foto de capa: https://bit.ly/3e6wy8Q | https://bit.ly/3gWZwK7

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